Simbolismo

A Frenologia do Zodíaco

astrologiazodiacofrenologia

Por E. G. Bradford Publicado originalmente em Azoth, outubro de 1919

Nota editorial: este texto pertence a um contexto histórico específico. A frenologia, hoje rejeitada como ciência, foi durante certo período tratada por alguns autores como uma chave de leitura psicológica. O interesse aqui não está em tomá-la como verdade médica ou científica, mas em observar como certos ocultistas e astrólogos do início do século XX tentavam construir pontes simbólicas entre corpo, mente, planetas e signos.

Antes que o autor se interessasse pela astrologia de maneira prática, já estava havia muito familiarizado com os ensinamentos da frenologia, e estimava essa arte, então considerada por seus defensores como um dos sistemas mais úteis de psicologia aplicada já formulados. Era natural, portanto, que buscasse nela algum auxílio para compreender a psicologia dos signos e dos planetas.

Essa busca parecia, naquele momento, quase necessária. As descrições dos traços mentais atribuídos aos signos, conforme apareciam nos manuais astrológicos disponíveis, pareciam vagas, contraditórias e, por isso mesmo, confusas. Ora, se deixarmos de lado os aspectos, são justamente as naturezas dos planetas e dos signos que constituem os valores fundamentais com os quais o estudante de astrologia precisa lidar. Talvez, portanto, outros possam encontrar algum proveito na exposição dos resultados deste estudo.

Vários pensadores, no passado, procuraram indicar correspondências entre os signos, os planetas — sobretudo estes últimos — e os chamados órgãos frenológicos. Contudo, em quase todos os casos, suas tentativas deixaram algo a desejar. É possível que a presente tentativa não satisfaça melhor o leitor. Recordo, em especial, Sivartha, Bundy e Sepharial como autores que escreveram sobre esse tema interessante. Este último publicou, há dois ou três anos, um pequeno volume dedicado ao assunto. Mais recentemente, soube que John Hazelrigg contribuiu com um artigo sobre “astrofrenologia” para o Year Book de 1918 da American Academy of Astrologians, embora eu ainda não tenha tido a oportunidade de lê-lo.

Convém dizer, entretanto, que muitos de nós provavelmente concordamos em diversos pontos — talvez mais do que discordamos. Algo semelhante ocorre com as ideias a respeito das cores e dos planetas. Quem investigou esse assunto terá notado que praticamente todas as autoridades associam o vermelho a Marte e o laranja ao Sol; quanto às cores dos demais planetas, porém, há considerável divergência.

O problema frenológico-astrológico não é exatamente especulativo. Trata-se, antes, de um problema de identificação. A frenologia se baseava, segundo seus praticantes, em fatos observados; o mesmo se afirmava da astrologia. O que aqui se tenta é correlacionar parcialmente esses dois sistemas.

As funções atribuídas às faculdades frenológicas eram compreendidas e definidas com razoável precisão pelos antigos escritores do tema. Já as funções mentais dos signos zodiacais, nos tratados astrológicos comuns, aparecem com menor clareza e diferenciação.

Entre a antiga organologia cerebral e o zodíaco talvez exista, ao menos simbolicamente, uma correspondência bastante exata. Se tal correspondência puder ser esclarecida, talvez se alcance uma compreensão melhor da psicologia zodiacal. O leitor que conhece algo de frenologia e astrologia tem, portanto, tanto direito quanto qualquer outro de exercer seu próprio julgamento sobre a matéria.

E, se é razoável argumentar do mais conhecido para o menos conhecido, a investigação nessa linha é legítima e pode recompensar algum esforço de reflexão. Caso ela venha a ter qualquer utilidade na verificação do signo ascendente, quando este estiver em dúvida, já terá valor específico para o astrólogo prático.

A distribuição simbólica dos planetas

Se dispusermos os signos e seus regentes conforme o esquema proposto pelo autor, veremos que Júpiter e o Sol aparecem como os governantes naturais das regiões superiores do cérebro e, de modo geral, da natureza moral e religiosa.

Marte e a Lua, por sua vez, correspondem à base do cérebro, onde se localizariam os apetites, as sensações e as propensões animais. Vênus se encontra na região posterior e social da cabeça. Mercúrio se correlaciona ao cérebro anterior e às faculdades intelectuais propriamente ditas. Já a parte central da lateral da cabeça, onde Capricórnio e o signo de exaltação de Saturno aparecem próximos, parece constituir a região saturnina.

Pode haver alguma incerteza sobre como dividir exatamente as faculdades perceptivas entre Gêmeos e Virgem, ou se a consciência moral deveria ser atribuída a Leão ou a outro signo. Ainda assim, feitas as devidas reservas, o autor propõe a seguinte distribuição.

Correspondências entre signos e faculdades

Áries

Áries corresponde à vitalidade e à combatividade. É o impulso que afirma, avança, rompe a inércia e se lança contra a resistência. Sua marca é a força inicial, a energia que não espera permissão para existir.

Palavra-chave: agressivo.

Touro

Touro é associado à adesividade, ao apego ao lar, à conjugalidade e à afeição pela prole. Sua natureza se inclina à permanência, à posse, à continuidade dos vínculos e à conservação daquilo que foi conquistado.

Palavra-chave: tenaz.

Gêmeos

Gêmeos corresponde à individualidade, localidade, forma, tamanho, peso, cor e linguagem. Aqui se encontra a mente que observa, compara, nomeia e distingue. É o signo da curiosidade perceptiva, da palavra e do contato com a variedade do mundo.

Palavra-chave: inquisitivo.

Câncer

Câncer é associado à sensibilidade e à alimentação. Sua esfera toca as impressões íntimas, as necessidades orgânicas, a nutrição, a receptividade e a memória afetiva. É o signo que sente antes de formular.

Palavra-chave: sensível.

Leão

Leão corresponde à firmeza, à consciência moral, à autoestima e ao desejo de aprovação. Há aqui uma força centralizadora, uma necessidade de dignidade e reconhecimento, mas também uma capacidade de sustentar a própria vontade diante do mundo.

Palavra-chave: autoritativo.

Virgem

Virgem é associado à eventualidade, ao tempo, à ordem e ao cálculo. Seu domínio é o da sequência, da organização, da medida e da análise cuidadosa. Onde outros apenas percebem o todo, Virgem discrimina as partes.

Palavra-chave: sistemático.

Libra

Libra corresponde ao senso musical, à idealidade, ao humor e também à amizade. Seu princípio busca proporção, beleza, afinação e conciliação. É a inteligência que procura harmonia, não apenas nas formas, mas nas relações.

Palavra-chave: idealista.

Escorpião

Escorpião é associado à destrutividade e à sexualidade. Sua força opera nas regiões intensas da vida: desejo, ruptura, conflito, morte simbólica e regeneração. Não se trata apenas de destruir, mas de penetrar o véu das aparências até encontrar a potência oculta por trás delas.

Palavra-chave: energético.

Sagitário

Sagitário corresponde à esperança, à veneração, à sublimidade e ao maravilhoso. É o signo da elevação, da busca por sentido, da fé em horizontes mais amplos e da aspiração por aquilo que ultrapassa a vida comum.

Palavra-chave: aspiracional.

Capricórnio

Capricórnio é associado à aquisitividade, à reserva e à cautela. Sua natureza é prudente, estratégica, paciente e consciente dos limites. Ele não desperdiça forças; calcula, conserva e sobe pela disciplina.

Palavra-chave: prudencial.

Aquário

Aquário corresponde à comparação, à causalidade e à construção. Aqui encontramos a mente que relaciona ideias, busca princípios, compreende mecanismos e imagina estruturas. É um signo de meditação, invenção e síntese.

Palavra-chave: meditativo.

Peixes

Peixes é associado à imitação, à benevolência, à natureza humana e à suavidade. Sua esfera é a da empatia, da adaptação, da compaixão e da percepção sutil do outro. Peixes dissolve fronteiras e pressente aquilo que a razão ainda não organizou.

Palavra-chave: simpático.

As palavras-chave dos signos

A partir dessas correspondências, o autor sugere os seguintes nomes-chave para os doze signos:

Áries: Agressivo

Touro: Tenaz

Gêmeos: Inquisitivo

Câncer: Sensível

Leão: Autoritativo

Virgem: Sistemático

Libra: Idealista

Escorpião: Energético

Sagitário: Aspiracional

Capricórnio: Prudencial

Aquário:Meditativo

Peixes: Simpático

Uma palavra-chave perfeita deveria indicar o caráter essencial de seu signo e, ao mesmo tempo, evitar qualquer ambiguidade, distinguindo-se claramente das outras onze.

Aqueles que desejarem estudar a frenologia em suas fontes históricas encontrarão esse sistema exposto nas obras de George Combe, ou poderão obter as informações necessárias em autores mais recentes.


Comentário final

Lido hoje, o texto de Bradford interessa menos como tese científica e mais como documento de uma mentalidade esotérica que buscava correspondências em toda parte. O corpo, a cabeça, os planetas, os signos e as faculdades da alma eram vistos como expressões de uma mesma arquitetura invisível. Mesmo quando seus instrumentos pertencem a um tempo superado, a intenção permanece reconhecível ao estudante de ocultismo: descobrir se há, por trás da multiplicidade das formas, uma gramática comum entre o céu e o homem.

Nesse sentido, a “frenologia do zodíaco” não precisa ser tomada literalmente para conservar algum valor simbólico. Ela pode ser lida como uma tentativa de organizar os temperamentos zodiacais em torno de centros de força, tendências psíquicas e disposições interiores. O que para a ciência moderna se tornou ruína, para a história do esoterismo ainda pode funcionar como vestígio: não como prova, mas como sinal de uma época em que o ser humano procurava, no próprio crânio, a imagem reduzida das estrelas.

← Voltar aos textos